terça-feira, 5 de junho de 2012

Que seja doce, mas amargo.

Que não seja apenas doce. Que seja amargo. No começo. No meio, ou no fim. Doce, como bala de iogurte que derrete na boca. Como algodão doce que se dissolve ao encostar nos lábios. Como pirulito que de tanto ser lambido nos deixa lambuzados. Chocolate. Que te dá aquela sensação de prazer. Um simples brigadeiro que faz o coração disparar. Mas que de tão doce, não enjoe. Se chegar a esse ponto, mude. Agridoce. Comece a misturar sabores. Um pouco de sal não faz mal a ninguém. Uma pitada, demais pode estragar. Mas que também seja amargo. Como ácido. Aquele chá de boldo. Que trava a boca. Quando perceber que está com sabor de jiló, pegue aquela última bala de iogurte guardada na gaveta com todas as outras lembranças. Coloque na boca. Sinta o doce voltar. Quando você achar que pode ser o fim, pegue uma bala, um pirulito, um prazeroso chocolate.

domingo, 3 de junho de 2012

Ressaca.

Dores de cabeça. Enjoos. Mal estar. Martínis, caipirinhas  e cervejas. Amigos, músicas, baladas e corpos. Uma saída para algo que nem eu mesmo sei o que é. Uma fuga que encontrei. Hoje o que eu mais desejo é ter algo. Alguém. Um motivo que acabe de uma vez por todas com as ressacas de todos os domingos.

Um B que não tem fim.

Ela sabe ser tão misteriosa. Uma mulher indecifrável. 'Indecifrável riso de mulher'. Tem na pele o que muitas religiões e pessoas condenam. Tatuagens que revelam um pouco dos seus mistérios. Sejam os dois olhos de Hórus, ou um diamante, uma frase. Torna-te quem tu és. Ela diz em seu pé. Mulher evoluída, dura. Um doce. Inteligência que nenhum ser humano tem coragem de discutir. Nenhum mesmo. Sentimentos à flor da pele. O amor principalmente. Seja amor de amizade, de família, ou amor pelo sexo oposto. Certo dia, um jovem de boa aparência chegou e transformou a vida dessa menina. Promessas, canções, cartas, presentes e flores. Mas, em poucos anos depois o mundo dela parou. Aquele rapaz que dizia amá-la, fugiu. Para muito longe. E levou com ele uma parte dela. O coração. Desde então, ela nunca mais encontrou. Às vezes aparecem pistas pelo caminho. Mas são apenas pegadas na areia que o vento apaga. Ela acredita. Tem fé. Tem força. E tem amor também. Ela quer encontrar o coração novamente. E ela vai. Nem que seja com marcapassos colocados pelo tempo. Um belo dia, um príncipe vai trazer de volta o coração dela. Ou quem sabe um simples servo traga seu coração ainda batendo. E o faço acelerar. De novo, de novo e de novo. E ela nunca mais deixará de ser aquela menina misteriosa. Indecifrável. Sonhadora.